Espetinho, Havaianas e Pasteis

Tudo pronto para o encontro com as colegas da Grasi, na casa da Rafa e do Gustavo. Marcado para às 15 horas do sábado, saímos pontualmente… às 15:40, levando uma pizza de forma sem glúten e sem lactose. Demos carona à Valéria, seu bolo e seus cajuzinhos. Chegamos no Vicente Pires quase na mesma hora da Tchú (saúde!) e do Percy.

Tentamos contato pelo celular sem sucesso, então batemos na porta de metal, com o mesmo resultado. Foram uns bons 5 minutos esperando até que abriram a porta. Eu ainda não conhecia a casa deles, fiquei encantado com as generosas dimensões do terreno. Na grande área coberta já aguardavam a Kênia e o bebê Heitor com o papai Fernando.

Os comes e bebes foram postos numa pequena mesa junto à parede. Ficou combinado com todos o que era alimento comum e o que era livre de glúten e lactose, bem como os cuidados em não misturar os talheres, aproximar os pratos da mesa e tal.

A configuração de sempre: mulheres conversando de um lado, homens de outro, cambiando vez ou outra. Como era bom! Foram pouquíssimas as oportunidades durante a pandemia e sempre com os devidos cuidados. Na Rafa todos usamos máscaras, com exceção do pequeno Heitor, claro. Das conversas, quase sempre buscando divertir os demais, a melhor história veio do Fernando. Diz que estava em Taguatinga e estacionou para comer um espetinho do outro lado da rua. No quiosque acomodou-se numa cadeira e serviu-se da carne com uma cerveja. Viu quando, do outro lado da rua, onde descansava o carro, parou um Astra. Um rapaz desembarcou e deu uma checada no Palio. Fernando já ficou em alerta. A gente completamente presos à curva de tensão. Disfarçando, o rapaz encostou-se no carro e, segundos após, abriu a porta. Num pulo o Fernando saiu correndo em direção ao Palio, sem largar o espetinho. Deu tempo de soltar um tapão no cara antes que ele saísse correndo e perdesse as Havaianas tentando alcançar o Astra, que não quis saber de aguardar o parceiro. O espetinho acabou caindo no chão. Resumo da história: Fernando trocou um espetinho por um par de Havaianas. E assim, entre risadas e mastigações, a coisa foi se desenrolando.

A Bonita, uma filhotona adotada pelos anfitriões quando de uma parada em uma borracharia, recebia carinhosa visita do Stefano. Eu gostaria de ter a sorte de consertar o pneu numa borracharia dessas para “ganhar” de brinde uma cachorrinha.

O papo das meninas em momento algum perdeu ânimo. Na roda dos meninos nada muito diferente, com algumas latas de cerveja tal como ferramentas de trabalho, intercalados com salgados e os cajuzinhos da Valéria. Percy e Gustavo devorando um pastel cada um.

Seria o causo do Fernando o premiado do evento, não fosse um outro incidente. A Grasi chamou a Kênia para entregar um pequeno agrado. A Kênia vinha cuidando da alimentação porque amamentava o Heitor e ele tinha refluxo. Então a Grasi levou também dois pasteis de forno totalmente livres dos elementos aqueles. Ela pegou o potinho roxo do canto da mesa, tirou a tampa e só encontrou o principal ingrediente de qualquer pastel: vento. Eu não vi o momento exato, só quando elas já estavam investigando quem teria comido os pasteis. “Só pode ter sido o Fernando”, deduziu a Kênia. Eu ainda não tinha sacado o ocorrido e aproximei-me para entender o que esperavam encontrar no pote. “Dois pasteis que eu trouxe pra Kênia e pra mim”, respondeu a minha esposinha. Alguém garfou os dois salgados e não seria difícil descobrir o autor, não com tão pouca gente. A Bonita esteve trancada no cercadinho dela o tempo todo, fora de questão ter sido ela. O fato ocorreu mais ou menos na mesma hora em que a Rafa e o Gustavo mostravam a bela casa aos inve…, digo, às visitas. Só pode ter sido algo bem planejado. De repente uma imagem me veio na cachola. Perguntei se eram pasteis de forno, meio clarinhos, aparência de cru, porque assados na airfryer. A Grasi confirmou. Fiquei meio sem jeito, mas foi coisa passageira, uns 3 ou 4 segundos. Delatei o Gustavo e o Percy. E eis o causo vencedor. É que tinha pouca comida, deduzíamos com sarcasmo, sempre às risadas. A gafe foi perfeitamente compreendida. Afinal, num potinho no canto da mesa, tinha cara de ser sobra. Se eu tivesse notado também pensaria em evitar a desfeita comendo não um, mas os dois pasteis. E escondido, ainda por cima. Aguardando o próximo evento com seus pratos deliciosos, as bebidas, as histórias e… as gafes.

Brasília, Dezembro de 2021.

Publicado por Morrisson

Escritor e bancário.

6 comentários em “Espetinho, Havaianas e Pasteis

  1. Meu querido amigo! Adorei ler e relembrar esse dia. Uma pequena observação: Fernando não deixou o espetinho cair e um pedestre que passava na rua pediu para ficar com as havaianas do meliante. Você acha mesmo que Fernando ia desperdiçar comida? Hahahaha
    Mas agora todo encontro vai precisar de uma crônica porque eu amei. Ainda mais com detalhes do meu pequeno Heitor. Muito amor! Obrigada e parabéns pelo blog! 👏😊

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  2. Bah mas que maravilhosos presentes de fim/começo de ano! Amigos comentando uma crônica nas fuças do autor! Os críticos não aprovariam, mas eu ADORO! E olha que manjo um pouco de crítica também. Mas quando é bom, é bom. Principalmente para uma mãe coruja… Parabéns, texto dinâmico, rico de assuntos, surpreendente e muito acolhedor. AMO! Xegalogodezesseis!

    Curtido por 1 pessoa

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