Patrocínio de Rodapé

Agora há pouco estava enviando uns áudios ao Marciano, amigo de longa data que, com muita coragem, pediu as contas do BB e foi ser empreendedor.

Coragem sim, pois, largar um trabalho, certa maneira estável, para depender exclusivamente do próprio desempenho com vendas, não é para qualquer um! Nisso enviei uns áudios lembrando das minhas experiências antigas. Daí lembrei de uma história e me obriguei a mandar um áudio entre parênteses para contar o que se segue.

Nos anos 90, Valdemar e Sueli Mazurana, também conhecidos como meus pais, publicavam a Revista Elo, de cunho sócio-cultural, lá em Orleans. Eu, nos meus 15 anos se muito, saía para entregar as revistas aos patrocinadores, assinantes e postar no correio para os de fora. Às vezes arriscava vender de porta em porta, com resultado bastante modesto, coisa de 1 venda por 10 tentativas.

Um dia fui além. Estava em Criciúma por conta de um curso de computação. Sempre antes de ir tentar carona de volta para Orleans, parava na Casa das Gaitas, tradicional loja de instrumentos musicais no Calçadão. No dia em questão eu levei uma revista Elo e perguntei ao dono da loja se faria um patrocínio de rodapé em uma página. Para minha felicidade, nem precisei falar muito; ele concordou fácil, era muito gente boa.

Quando cheguei em casa com a novidade, pude sentir a alegria dos editores da Elo. E claro que também eu fiquei muito feliz com aquele passo. Estava doido para ver a revista publicada e ir entregar ao Júnior (acho que era esse o nome dele) lá na Casa das Gaitas.

Eis que chega o grande dia. Recebemos as revistas da gráfica, primeira caixa aberta e eu catei logo uma e fui passando as folhas. Lá estava o patrocínio no rodapé da página. Uma das mais conhecidas lojas de instrumentos musicais da região com o seu logotipo impresso na revista Elo. Mas…

O conteúdo da página patrocinada era uma entrevista. O entrevistado era o Bira. O Bira era (ainda é) o proprietário da A Musical de Orleans, maior concorrente da Casa das Gaitas.

Que eu recorde, os patrocínios não eram organizados lá em casa, digo, na editora, a menos que fosse caso necessário. E este com certeza era um caso necessário! Parece que foi parar lá na página do Bira aleatoriamente, e o entusiasmo da “euquipe” de vendas tornou-se angústia. Angústia dupla, diga-se de passagem. Pois a revista seria entregue ao Bira, pela entrevista, e ao Júnior pelo patrocínio. E assim foi feito.

Na A Musical só lembro das palavras da Milena, esposa do Bira: “eles são nossos maiores concorrentes!”

Já na Casa das Gaitas pensei que não receberia o dinheiro do desaforo, digo (de novo), do patrocínio e ainda ouviria umas gentilezas. Estava enganado, ainda bem. Mostrei a página ao Júnior, ele gostou. Foi no caixa, pegou o valor e me entregou. E eu saí rapidinho e só entrei na loja novamente quando tive certeza de que não seria reconhecido. Coisa de uns dez anos depois.

Brasília, 14/09/2021.

Publicado por Morrisson

Escritor e bancário.

2 comentários em “Patrocínio de Rodapé

    1. Claro que vou imprimir e entregar uma cópia pro Bira e outra pro Júnior (ele existe mesmo?). Mas o dono dessa loja era o Itamar Benedet (se não me engano.)Muito BOM o texto (crônica). Adorei, de verdade! Parabéns.

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