Como Escrever Um Livro

Sim, estou ciente da pretensão do título acima. Porém, a possibilidade de ajudar alguém de alguma maneira a publicar um livro motivou-me a dizer um “f… se” à auto-crítica e mandar brasa. Afinal, estou publicando meus livros, então devo ter algo de valor a oferecer.

Já tinha começado a escrever direcionado ao leitor, em terceira pessoa. Só que, em dado momento, voltei ao título. O danado tem força e me mandou substituir por primeira pessoa. Afinal de contas são dicas a partir da minha experiência.

Começar a escrever: parece brincadeira, mas não é. Comecei a escrever, mesmo sem ter uma ideia a ser posta no papel. Sugestões não faltavam. Tentei começar um diário pessoal, descrevendo situações cotidianas. Depois, registrei contos que meus parentes mais idosos contavam e que julgava não deviam se perder no tempo… Ou seja, assunto nunca faltou, o que faltava era começar. Criei um arquivo Word e procurei escrever todos os dias, ainda que sem pretensão de publicar nada daquele material. No entanto, hoje em dia guardo um grande desejo de publicá-lo.

Ler: quanto mais ler, melhor. Quanto mais diversificado o repertório, melhor. Assim é que se percebe estilos, se enriquece o vocabulário, se memoriza a correta ortografia para não mais errar certas palavras. Sinto que esse aprendizado – meio que involuntário – acabou se refletindo no meu trabalho.

Controle dos eventos: logo no primeiro trabalho encarei um obstáculo que me obrigaria a reler a estória do início várias vezes. Trata-se da falta de controle dos eventos que surgem na trama. Isso aconteceu comigo quando tive de dedicar muito tempo em alguma passagem mais detalhada, ou capítulo mais longo, ou após uma proposital pausa para refrescar a mente e retomar a escrita. Eu deveria ter começado com uma estória mais curta e mais simples, mas no fim o livro deu certo. Já no atual trabalho, decidi controlar os eventos que vão acontecendo, para não ter o risco de deixar coisas não resolvidas na estória. Isso também está me ajudando a refletir se determinadas passagens são prolixas ou de fato necessárias à obra. Estou usando um gráfico de Gantt, que pode ser feito bem simples no Excel ou mesmo rabiscado numa folha. Faço assim: numa planilha Excel considero cada coluna um capítulo do livro e, cada linha, um evento. Se o evento começou no capítulo 1, as células vão sendo pintadas em cada capítulo (coluna) até o capítulo em que o evento se resolve. Assim posso ter uma visão cronológica na estória, posso acrescentar ou retirar eventos à vontade, minimizando o risco de deixar algo solto no meio da obra.

Passo de acordo com a perna: dos três livros de minha autoria, o atual – ainda não publicado – é que está dando mais prazer em fazer, e sinto isso mesmo já tendo lido desde o início incontáveis vezes. Dos três é o menor em número de páginas, e isso não é uma coincidência, é resultado de um aprendizado. Não sou escritor profissional, sou bancário e tenho mulher e filho, e claro que dedico boa parte do tempo a eles dois fora da jornada no banco. Sendo o livro de proporções modestas, também o tempo que a ele dedico pode o é. Óbvio que isso depende, também, do prazo estabelecido para a conclusão. Quanto menor o prazo, maior o tempo de trabalho por dia.

Não brigar com a criatividade: teve vezes que iniciei capítulos promissores, com tudo para ser no mínimo satisfatório. Mas, depois de algumas linhas percebia diferente, que aquilo não estava agradável. Houve vezes, ainda, em que as ideias simplesmente não surgiam. Hoje em dia sei que, quando isso acontece, o melhor a fazer é fechar o arquivo e tentar esquecer o livro por algum tempo. As ideias mais satisfatórias que tive surgiram não em frente ao computador, mas na trivialidade de uma reunião com amigos, durante uma caminhada ou pedalada, ou mesmo durante o banho. Bolei um conto certa vez durante a viagem de metrô, depois do trabalho, porque estava sem um livro para ler e não estava a fim de ouvir músicas.

Dar um tempo: quando não estou sentindo prazer em trabalhar no livro, é sinal de que devo me afastar um pouco. Não tenho a resposta para quanto tempo ficar afastado, mas sei responder quando retornar. Retorno quando não lembro direito da estória, nem onde parei. Parece que o senso crítico fica mais afiado e no texto parece mais saliente o que está bom e o que precisa ser revisto ou excluído. Normalmente, após esse processo, sinto-me revigorado e os dias de escrita que se sucedem costumam ser bem produtivos.

São essas as dicas que eu daria por ora. Se lembrar outras – ou melhorar essas – postarei, quem sabe em forma de série (Como Escrever…1, 2 e assim por diante).

Publicado por Morrisson

Escritor e bancário.

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