Por Que Autor Sem Tempo?

O desejo de baixar a termo as ideias de estórias que eu tinha começou a brotar lá por volta de 2012 ou 13. Estava numa fase em que a tripla sugestão de José Martí – ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro – me causava inquietude. Eu me flagrava a todo instante pensando no legado que cada um deixará nesse mundo e, da minha parte, ser pai estava nos planos e já havia plantado alguma coisa no durante a infância (não, não me refiro ao feijão no algodão). Faltava um item, portanto.

Mas… escrever o quê? E sobre o quê? Jamais tive muita aptidão com as palavras e até hoje tenho a gramática e o Português como se fossem colegas de trabalho cuja companhia não é prazerosa, porém necessária. E olha que sou filho de professores da área – uma doutora e um mestre! Tal pensamento punha em dúvida minha capacidade de realizar um projeto e, piorando as coisas, eu tinha dois arquivos inacabados, dois livros que iniciei e abandonei não por falta de inspiração, mas de confiança. Eles estavam lá, dizendo que eu não era capaz.

Passando por um período complicado no trabalho, a vontade de extravasar parece ter sido o gatilho que deu início ao primeiro projeto. Logo, uma ideia surgiu e foi registrada em um arquivo de OpenOffice. Parecia uma grande ideia, mas várias páginas foram preenchidas durante alguns meses e, após quase um ano, aquela ideia não passava de um pequeno fragmento de um livro que, impresso, deu mais de quatrocentas páginas.

Feito. A terceira tarefa do José Martí havia sido cumprida e, se existia qualquer sentimento de obrigação (e tinha um pouco sim, confesso), daquele momento em diante era só prazer em fazer.

Porém, tal como ocorre com milhares de cidadãos neste país e no mundo, que publicam independentemente, é necessário continuar a labuta que de fato me sustenta. Além disso, há um filho amado para quem invisto tempo e dedicação, além da minha esposa. Hoje é 4 de junho de 2020, estamos quarentenados por conta do Covid19. A enfermeira com quem sou casado chega tarde da noite todos os dias e precisa que eu a ajude na higienização e desinfecção, na tentativa de barrar o vírus de entrar em nosso apartamento. E isso depois de trabalhado e acompanhado nosso filho nas aulas online. E aqui, enfim, justifico o nome do blog.

Acho que me falta habilidades para merecer ser chamado escritor e, ainda que as tivesse, precisaria dedicar muito mais tempo do que disponho para criar textos e praticar a escrita. Em tempos de pandemia, esse insumo fica ainda mais escasso. De modo que, ao sentir necessidade de divulgar coisas que penso e minhas experiências publicando livros, nasceu o autor que quase não tem tempo.

Publicado por Morrisson

Escritor e bancário.

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